Atravessar fora das passadeiras: até onde vai a falta de noção?

Hoje vinha eu perfeitamente descansada a caminho do escritório, com a esperança ingénua de ter um dia calmo, porque a verdade é que eles são raros, mas a esperança é a última a morrer, como se costuma dizer. Pois que "do nada" deparo-me com uma senhora, nos seus 60 e poucos anos, apoiada numa canadiana, a tentar atravessar... no meio de uma estrada de TRÊS VIAS super movimentada. Fora da passadeira.

Mas há um pormenor importantíssimo nesta situação: a passadeira estava literalmente ali ao lado. A menos de dez metros! Dez. Metros.

Eu sei o que alguns vão pensar para tentar justificar o injustificável: "Ah, mas a senhora tem dificuldades de locomoção, dez metros para quem anda de muleta custam muito a fazer..."

Eu entendo mas é exatamente por ter dificuldades de locomoção é que enfiar-se no meio de três faixas de trânsito rápido é uma ideia absolutamente doida!

Estamos a falar de alguém que caminha devagar, com o auxílio de uma canadiana. Se um carro vem com um bocadinho mais de embalo, até porque aquela estrada é inclinada, se um condutor se desconcentra por meio segundo a mudar a estação de rádio, qual era o plano de fuga da senhora?! Correr para a berma?! Ela não tinha velocidade para aproveitar uma "brecha" no trânsito, quanto mais para reagir a um imprevisto!

Isto do "atravesso aqui porque me dá mais jeito" deixa-me verdadeiramente de cabelos em pé. Onde é que as pessoas deixaram a cabeça? Parece que há quem ganhe um escudo no momento em que põe os pés no alcatrão. Pensam: "Os carros que parem, eu sou peão!" Pois é, mas a física não quer saber do Código da Estrada: o corpo humano contra uma tonelada de metal a 50 km/h perde SEMPRE.

E o pior é que, se acontece uma tragédia, o condutor fica traumatizado para a vida e com a culpa às costas, tudo porque alguém decidiu poupar dez passos e ignorar as riscas brancas desenhadas no chão.

A segurança rodoviária não é só exigir que os carros parem é também pedir que os peões deixem de jogar à roleta russa no meio do trânsito.

Fonte da imagem: sinalnorte.com

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