Os intocáveis das empresas

Como é que há pessoas que acumulam erros e prejuízos no trabalho e continuam imunes à demissão?

Há mistérios que eu ainda não consigo explicar, nem sei se é possível haver uma explicação mas deixa-me bastante intrigada saber que há funcionários incompetentes e que parecem ser protegidos.

Eu tento entender mas a verdade é que nada bate certo.

Se um trabalhador "normal", cumpridor e responsável comete um erro, falha um detalhe num relatório ou chega dez minutos atrasado porque o trânsito estava um caos, parece que é o fim do mundo. Há logo uma conversa séria, olhares de desaprovação e a pessoa passa os três dias seguintes a trabalhar em sobrecarga de culpa para tentar redimir-se.

Agora, olhemos para o "intocável": aquele ser vivo raro que parece habitar em quase todas as empresas.

A criatura acumula disparates numa base diária. Demonstra um desinteresse brutal pelo trabalho, erra em processos básicos, trata clientes ou colegas com uma preguiça total e, para juntar à festa, provoca prejuízos financeiros reais à empresa!

A lógica ditava que este ser recebesse uma bela ordem para se meter a andar, certo? Errado.

Passam semanas, passam meses, passam anos... e o "intocável" continua lá. Firme e sereno, a beber o seu cafezinho às nove da manhã enquanto arrasta os pés pela sala.

Cheguei à conclusão de que existem duas explicações "cientificamente" possíveis para este mistério:

  1. A "cunha" com ramificações até Marte: a pessoa é afilhada, sobrinha ou prima em segundo grau de alguém tão alto na hierarquia que ninguém tem coragem de lhe tocar. É uma espécie de imunidade que deve estar estabelecido logo no contrato.
  2. O arquivo secreto de chantagem: a pessoa tem na sua posse fotos comprometedoras da chefia na última festa de Natal, ou sabe exatamente em que gaveta estão guardadas as faturas duvidosas. 

O que me irrita profundamente não é só a pessoa estar lá sem fazer nada. É o impacto direto que isso tem em todos os outros!

Quando o "intocável" faz mais uma das suas asneiras épicas, quem é que a gestão chama para resolver a crise à pressa? Os do costume, claro! Aqueles que trabalham bem e que têm a mania de ter responsabilidade na cara.

E a resposta da chefia quando nos queixamos? É o clássico e deprimente: "Opá, tu já sabes como ele é... dá lá aqui uma ajuda a dar a volta a isto".

DÁ LÁ UMA AJUDA?! Então a recompensa de quem faz o seu trabalho com rigor é ter de fazer também o trabalho de quem não quer saber de nada?!

Isto destrói a moral de qualquer equipa e passa uma mensagem assustadora: o rigor é punido com mais trabalho, e a irresponsabilidade é premiada com descanso e estabilidade.

Eu não entendo o motivo de, quando uma pessoa faz alguma asneira, não é obrigada a corrigir. Porque é que têm de ser outros a assumir a tarefa? Assim é muito fácil, basta fazer asneiras o tempo todo que nunca conclui tarefa nenhuma, "os outros que façam".

Se uma pessoa não quer trabalhar, que dê o lugar a quem precisa. E se uma empresa prefere manter quem dá prejuízo em vez de valorizar quem trabalha, depois não queixe da "falta de vestir a camisola".

Também já se aperceberam da existência de um ser raro e "intocável" por aí? Têm mais ideias de motivos que levem uma empresa a manter uma pessoa assim? Gostaria imenso de entender este mistério... 😅

Imagem de capa gerada por IA.

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